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Dicionários


Pré-Requisitos

São requisitos para essa aula:

Agradecimentos especiais ao prof. Fabiano Oliveira e prof. Fábio Protti, cujo conteúdo didático forma a base desses slides

Tipo Abstrato: Dicionário


Dicionários

O Dicionário (do inglês Dictionary) ou Mapa (do inglês Map) é um Tipo Abstrato de Dado (TAD) que visa oferecer operações de chave-valor. Também é conhecido como mapeamento.

Supondo um mapeamento M do tipo caractere para float, por exemplo:

M:
B -> 120.0
C -> 150.0
...

Dicionários na computação

Dicionários são estruturas fundamentais na própria computação.

Por exemplo, algumas linguagens de programação (como Python) oferecem suporte nativo a dicionários:

>>> M = dict()
>>> M['A'] = 100.0
>>> M['A']
100.0

Assim como arrays, servem para armazenar um conjunto de dados de certo tipo (estrutura homogênea). Uma diferença em relação a vetores, é que permitem indexação da chave de busca por tipos arbitrários.


Operações de um Dicionário

Um Dicionário requer 3 operações básicas:


Definição do Conceito Dicionário em C++

O conceito de dicionário somente requer suas três operações básicas. Como consideramos um dicionário genérico (mapa de inteiro, char, etc), definimos um conceito genérico chamado DicionarioTAD (note que precisamos de dois tipos genéricos, para chave e valor):

template<typename Agregado, typename TChave, typename TValor>
concept 
DicionarioTAD = requires(Agregado d, TChave c, TValor v) {
   // requer operação 'consulta'
   { d.consulta(c) };
   // requer operação 'adiciona'
   { d.adiciona(c, v) };
   // requer operação 'remove'
   { d.remove(c) };
};

Exemplo: Dicionário de char para float

struct DicionarioCF {
   // ... 
   int consulta(char c) {
      // ...
   }
   void adiciona(char c, float v) {
      // ...
   }
   int remove(char c) {
      // ...
   }
};
// verifica estrutura do DicionarioTAD
static_assert(DicionarioTAD<DicionarioCF, char, float>);

Exemplo de Uso com DicionarioCI

Adiciona pares chave-valor ('A', 100.0) e ('B', 200.0). Depois faz consultas e remove chave 'B'.

auto main() -> int {
   DicionarioCF d;
   d.cria();                            // inicializa
   d.adiciona('A', 100.0);
   d.adiciona('B', 200.0);
   std::println("{}", d.consulta('A')); // 100.0
   std::println("{}", d.consulta('B')); // 200.0
   d.remove('B');                       // 200.0
   // ...
   d.libera();                          // libera estrutura
   
   return 0;
}

Como implementar dicionários de forma eficiente?

Existem duas formas eficientes de implementação de dicionários:

Árvores Binárias de Busca (breve revisão)

Árvore Binária de Busca: Exemplo

Exemplos de ABB, contendo nós D, E, F, L, M, N e O.

::::::::::{.columns}

:::::{.column width=45%}

Árvore $A2$ com três folhas{height=40%}

:::::

:::::{.column width=50%}

Árvore $A3$ com cinco folhas{height=40%}

:::::

::::::::::

Árvores Balanceadas


Árvores Balanceadas

Um tipo importante de Árvore Binária de Busca é a balanceada, que resolve o problema de degeneração da árvore pelo controle de sua altura.

Tal controle é conseguido pelo cálculo de um fator de balanceamento (FB) para cada nó, definido por: altura do filho esquerdo - altura do filho direito. Observe que se o filho não existe, então sua altura será 0 (zero).


Exercício

Calcule o fator de balanceamento da raiz das quatro árvores abaixo e informe se estão balanceadas:

::::::::::{.columns}

:::::{.column width=70%}

{width=90%}

:::::

:::::{.column width=30%}

Árvore $A3${height=40%}

:::::

::::::::::

. . .

Solução: 1. $1-3=-2$ (não), 2. $0-3=-3$ (não), 3. $3-0=3$ (não), 4. $2-2=0$ (sim), Fig.7 $3-2=1$ (sim)

Operações Básicas em ABBB (Exercícios Práticos)

Exercício: Calcule a altura de um nó de uma ABBB

Considere uma Árvore Binária de Busca Balanceada (ABBB) com controle de altura. Dado um nó do tipo NoEnc7, calcule a altura com base na altura dos filhos. Faça um método auxiliar get_altura(no), que dá altura zero para um nó vazio:

int get_altura(const NoEnc7* no) { ... }

int calc_altura(const NoEnc7* no) { ... }

::::::::  
::::: {30%}
struct NoEnc7 {
   char chave;  
   float dado; 
   int h;      
   NoEnc7* esq; 
   NoEnc7* dir; 
   NoEnc7* pai;  
};

:::::

. . .

::::: {55%}
int get_altura(const NoEnc7* no) {
   return no ? no->h : 0; 
}
int calc_altura(const NoEnc7* no) 
{                      // pre(no)
    int he = get_altura(no->esq);
    int hd = get_altura(no->dir);
    return 1 + (he > hd? he : hd); 
}

::::: ::::::::

Exercício: Calcule o fator de balanceamento de uma ABBB

Considere uma Árvore Binária de Busca Balanceada (ABBB) com controle de altura. Dado um nó do tipo NoEnc7, calcule o fator de balanceamento com método auxiliar get_altura(no) já criado previamente:

int fb(const NoEnc7* no) { ... }

::::::::  
::::: {30%}
struct NoEnc7 {
   char chave;  
   float dado; 
   int h;      
   NoEnc7* esq; 
   NoEnc7* dir; 
   NoEnc7* pai;  
};

:::::

. . .

::::: {55%}
int get_altura(const NoEnc7* no) {
   return no ? no->h : 0; 
}

int fb(const NoEnc7* no)
// pre(no)               // C++26
{ 
   return get_altura(no->esq) - 
          get_altura(no->dir); 
}

::::: ::::::::

Exercício: Propriedade de um nó regulado em ABBB

Dado um nó do tipo NoEnc7, escreva a propriedade eh_regulado, que retorna verdadeiro caso seu fator de balanceamento seja no máximo 1 em módulo:

bool eh_regulado(auto* no) { ... }

::::::::  
::::: {30%}
struct NoEnc7 {
   char chave;  
   float dado; 
   int h;      
   NoEnc7* esq; 
   NoEnc7* dir; 
   NoEnc7* pai;  
};

:::::

. . .

::::: {55%}
bool eh_regulado(auto* no) 
// pre(no)        // C++26
{
    return fb(no) == 1 || 
           fb(no) == 0 || 
           fb(no) == -1;
} 

::::: ::::::::

Implementação de Dicionário

Dicionário com AVL

Existem duas implementações populares de árvores balanceadas para dicionários: AVL e rubro-negra.

Iremos explorar a árvore AVL, por sua simplicidade.

Criada em 1962 pelos russos Georgy Adelson-Velsky e Evgenii Landis, ela consegue manter um balanceamento após uma operação de inserção ou remoção.

Basta calcular o fator de balanceamento em cada nó e, caso esteja desbalanceada, algum tipo de operação de rotação será feita.

Nos próximos slides demonstramos as rotações possíveis.

Rotação Simples à Direita

Ocorre quando os fatores de balanceamento são 2 e 1 (ou 0).

Rotacao Simples Vermelha - Z Y X{height=40%}

Após rotação à direita, a árvore fica enraizada em Y, com X à esquerda e Y à direita.

Rotação Simples à Esquerda

Ocorre quando os fatores de balanceamento são -2 e -1 (ou 0).

Rotacao Simples Azul - P Q R{height=40%}

Após rotação à direita, a árvore fica enraizada em Q, com P à esquerda e R à direita.

Rotação Dupla à Direita

Ocorre quando os fatores de balanceamento são 2 e -1. Isso exige duas rotações, uma à esquerda e outra à direita.

::::::::::{.columns}

:::::{.column width=50%}

Rotacao Simples Esquerda do filho X - Z X Y{height=40%}

:::::

:::::{.column width=50%}

Rotacao Simples Direita da raiz Z - Z Y X{height=40%}

:::::

::::::::::

Após rotação à esquerda em X, a árvore fica enraizada em Z, mas ainda desbalanceada como 2 1. Uma nova rotação à direita da raiz Z resolve o problema.

Rotação Dupla à Esquerda

Ocorre quando os fatores de balanceamento são -2 e 1. Isso exige duas rotações, uma à direita e outra à esquerda.

::::::::::{.columns}

:::::{.column width=50%}

Rotacao Simples Direita do filho R - P R Q{height=40%}

:::::

:::::{.column width=50%}

Rotacao Simples Esquerda da raiz P - P Q R{height=40%}

:::::

::::::::::

Após rotação à direita em R, a árvore fica enraizada em P, mas ainda desbalanceada como -2 -1. Uma nova rotação à esquerda da raiz P resolve o problema.

Praticando as Rotações

Considere uma árvore A3 com nós M, D, O, B, F, N, S, E, L. A exclusão de S não acarreta em desbalanceamento. A exclusão de B gera um desbalanceamento no nó D, com fator 0-2=-2 seguido de 0.

Isso indica uma Rotação Simples à Esquerda, no nó D.

::::::::::{.columns}

:::::{.column width=70%}

Árvore $A3${height=30%}

:::::

:::::{.column width=30%}

Árvore $A2${height=30%}

:::::

::::::::::

Qual o final após a rotação? F substitui D, tornando D seu filho à esquerda e E à direita de D, sendo que o filho à direita de F permanece L. A árvore se torna balanceada.

Rotações em AVL (Exercícios Práticos)

Exercício: Faça uma Rotação à Direita em uma AVL

Dado um nó do tipo NoEnc7 desregulado (com peso à esquerda), faça uma rotação à direita na raiz de uma subárvore e retorne a nova raiz da subárvore:

NoEnc7* rotDir(NoEnc7* const raiz) { ... }

::: - :::::::: || ::::: |{30%}

struct NoEnc7 {
   char chave;  
   float dado; 
   int h;      
   NoEnc7* esq; 
   NoEnc7* dir; 
   NoEnc7* pai;  
};

:::::

. . .

::::: {55%}
NoEnc7* rotDir(NoEnc7* const raiz) 
// pre(raiz)             // C++26
{
    auto* x = raiz->esq;
    raiz->esq = x->dir;
    if(x->dir) x->dir->pai = raiz;
    x->dir = raiz;
    x->pai = raiz->pai;
    raiz->pai = x;
    raiz->h = calc_altura(raiz);
    x->h    = calc_altura(x);
    return x;  // nova raiz
}

::::: :::::::: :::

Exercício: Faça o Balanceamento de um nó de AVL

Dado um nó do tipo NoEnc7 regulado ou desregulado, efetue o balanceamento (se necessário) e retorne a nova raiz da subárvore:

NoEnc7* balanceia(NoEnc7* const raiz) { ... }

::: - :::::::: || ::::: |{30%}

struct NoEnc7 {
   char chave;  
   float dado; 
   int h;      
   NoEnc7* esq; 
   NoEnc7* dir; 
   NoEnc7* pai;  
};

:::::

. . .

::::: {55%}
NoEnc7* balanceia(NoEnc7* const raiz) 
// pre(raiz)                   // C++26
// post(out: eh_regulado(out)) // C++26
{
  int f = fb(raiz); if (f > 1) {
      if (fb(raiz->esq) < 0)
        raiz->esq = rotEsq(raiz->esq);
    return rotDir(raiz);
  }; if (f < -1) {
      if (fb(raiz->dir) > 0)
        raiz->dir = rotDir(raiz->dir);
      return rotEsq(raiz);
  }
  return raiz; // sem rotação necessária!
}

::::: :::::::: :::

Algoritmo rebalanceia até a raiz em O(h)

::: -

auto* rebalanceia(auto* p)          
// pre(p)
{
  auto* raiz = p;
  while (p) {
    auto* avo = p->pai;
    bool era_esq = avo && avo->esq == p;
    p->h = calc_altura(p);
    auto* nova = balanceia(p);      // rotação já ajusta nova->pai
    if (avo) { if (era_esq) avo->esq = nova; else avo->dir = nova; }
    raiz = nova;
    p = avo;
  }
  return raiz;
}

:::

Implementação de AVL

Estrutura de AVL

Relembrando a estrutura de árvore binária com pai, chave-valor e alturas:

struct NoEnc7 {
   char chave;     // chave de busca
   float dado;     // valor armazenado
   int h;          // altura
   NoEnc7* esq;    // filho esquerdo
   NoEnc7* dir;    // filho direito
   NoEnc7* pai;    // pai
};

struct AVL {
  NoEnc7* raiz;    // raiz da árvore
  int N;           // número de nós
  ...              // métodos típicos: busca, upsert, remove, ...
};

Implementação: upsertAVL

Implementação de “upserção” (inserção, se chave nova, ou atualização, se chave já existe) em árvore binária de busca balanceada não-vazia:

::: -

NoEnc7* upsertAVL(char c, float d, NoEnc7* const raiz) 
// pre(raiz)                                  // C++26
{  
  if (c == raiz->chave) { raiz->dado = d; return raiz; }
  if (c < raiz->chave) {
    if (raiz->esq) raiz->esq = upsertAVL(c, d, raiz->esq);
    else raiz->esq = 
      new NoEnc7{.chave=c,.dado=d,.h=1,.esq=0,.dir=0,.pai=raiz};
  } else {
    if (raiz->dir) raiz->dir = upsertAVL(c, d, raiz->dir);
    else raiz->dir = 
      new NoEnc7{.chave=c,.dado=d,.h=1,.esq=0,.dir=0,.pai=raiz};
  }
  raiz->h = calc_altura(raiz); // sempre muda altura até raiz!
  return balanceia(raiz);
}

:::

Algoritmo de Remoção em AVL

::: -

auto removeAVL(char c, auto* raiz) {
  if(!raiz) return std::tuple{false, raiz};    // árvore vazia
  auto* no = ::buscaABB(raiz, c);    if(!no)   return std::tuple{false, raiz};
  auto* alvo = tem_dois_filhos(no) ? sucessor(no) : no;  // nó a desligar
  no->chave = alvo->chave;  no->dado = alvo->dado;       // se no==alvo, nada muda
  auto [pai, filho] = extrai(alvo);  // 'alvo' tem no máximo um filho
  delete alvo;
  auto* inicio = pai ? pai : filho;  // de onde subir rebalanceando
  return std::tuple{true, inicio ? rebalanceia(inicio) : inicio};
}

:::

Exemplo de Remoção

Remova o A:

              E                    FB:  E = -1
           /     \                      B = -1,  C = -1
         B         H                    H = -1,  G = +1
        / \       / \                   J = -1,  K = -1
       A   C     G   J
            \   /   / \
             D F   I   K
                        \
                         L

Análise da AVL

Sobre Análise de Complexidade da AVL (revisão)

Para analisar a AVL, retomaremos conceitos importantes apresentados em aulas anteriores (de Árvores binárias):

Exercício Prático: AVL é uma Árvore Balanceada

Assuma que T é uma árvore AVL. Para cada nó X de T, afirmamos que $s(X) \geq \lceil h(X)/2\rceil$.

Para árvores pequenas, a afirmação vale (base). Nó vazio: $h = 0$ e $s=0$. Nó folha: $h = 1$ e $s = 1$. Suponha que, para toda subárvore AVL de altura menor que $h$, a afirmação vale (hipótese de indução).

Considere $h \geq 2$ (passo indutivo):

Pela definição recursiva, os filhos de T também são AVL, com alturas $h-1$ e $h-2$, ou $h-1$ e $h-1$.

Ambas são menores que $h$, então a hipótese se aplica a eles: cada filho X tem $s(X) \geq \lceil (h-2)/2\rceil = \lceil h/2\rceil - 1$.

Logo $s(T) = 1 + \min(s(T_E), s(T_D)) \geq 1 + \min(\lceil h/2\rceil - 1, \lceil h/2\rceil - 1) = \lceil h/2\rceil$.

Assim, $h(X) \leq 2 \cdot s(X)$ em todo nó, ou seja, a AVL é balanceada. Lembrando que toda árvore balanceada tem altura logarítmica $h \leq 2\cdot lg(n+1)$.


Sequência de Fibonacci (Revisão)

A sequência de Fibonacci é definida por $F(0) = 0$, $F(1) = 1$ e $F(k) = F(k-1) + F(k-2)$, para $k \geq 2$:

::: –

$k$ 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
$F(k)$ 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55
$\frac{F(k)}{F(k-1)}$ - 1 2 1,5 1,67 1,6 1,625 1,615 1,619 1,618

:::

Intuição: a razão entre termos consecutivos se estabiliza em torno de $1{,}618$. Ou seja, para $k$ grande, $F(k) \approx 1{,}618 \cdot F(k-1)$: a sequência se comporta quase como uma progressão geométrica, crescendo exponencialmente.

Esse valor é o número de ouro (ou razão áurea), denotado por $\varphi$.


Número de Ouro: Calculando $F(k)$

Desafio: se $F(k)$ se comporta como uma progressão geométrica $r^k$, quanto vale $r$?

  1. Substituindo $F(k) = r^k$ na recorrência: $r^k = r^{k-1} + r^{k-2}$
  2. Dividindo por $r^{k-2}$: $r^2 = r + 1$, ou seja, $r^2 - r - 1 = 0$
  3. Por Bhaskara: $\Delta = (-1)^2 - 4 \cdot 1 \cdot (-1) = 5$, logo $r = \frac{1 \pm \sqrt{5}}{2}$
  4. A raiz positiva é o número de ouro, $\varphi = \frac{1 + \sqrt{5}}{2} \approx 1{,}618$ (a outra é $\psi = \frac{1 - \sqrt{5}}{2} \approx -0{,}618$)

Propriedade fundamental: $\varphi^2 = \varphi + 1$ (vem do passo 2).

Observação: como a recorrência é linear, qualquer combinação $a\varphi^k + b\psi^k$ também a satisfaz.

Para que ela seja $F(k)$, usamos $F(0) = 0$ e $F(1) = 1$. Para $k=0$: $a\varphi^0 + b\psi^0 = a + b = 0$, ou seja, $b = -a$. Para $k=1$: $a\varphi + b\psi = 1$, e substituindo $b = -a$, temos $a\varphi - a\psi = 1$, ou seja, $a(\varphi - \psi) = 1$.

Como $\varphi - \psi = \sqrt{5}$, temos $a = -b = \frac{1}{\sqrt{5}}$, obtendo a fórmula de Binet: $F(k) = \frac{\varphi^k - \psi^k}{\sqrt{5}} \approx \frac{\varphi^k}{\sqrt{5}}$ (pois $ \psi < 1$).

Árvore de Fibonacci (AVL Mínima)

Seja $N^(h)$ o menor número de nós de uma AVL de altura $h$. Desafio: encontre $N^(h)$.

::::::::::  
::::: {60%}

Uma subárvore mínima de altura $h-1$, e outra mínima com a menor altura permitida, $h-2$:

$N^(h) = 1 + N^(h-1) + N^(h-2)$, com $N^(0) = 0$ e $N^*(1) = 1$

Somando $1$ dos dois lados, $N^(h) + 1 = (N^(h-1) + 1) + (N^(h-2) + 1)$ segue a recorrência de Fibonacci, começando em $1 = F(2)$ e $2 = F(3)$. Logo, $N^(h) = F(h+2) - 1$.

:::::

::::: {35%}
          E
        /   \
       C     G
      / \   /
     B   D F
    /
   A

Altura $4$: $F(6) - 1 = 7$ nós.

:::::

::::::::::

Essas AVLs mínimas são as árvores de Fibonacci: raiz, com árvores de Fibonacci de alturas $h-1$ e $h-2$ como filhos. Em todo nó, as alturas dos filhos diferem de exatamente $1$, logo são AVL.


Altura da AVL

Uma AVL com altura $h$ tem $n \geq N^*(h)$ nós. Somando $1$ dos dois lados e usando Binet:

$n + 1 \geq N^*(h) + 1 = F(h+2) \cancel{-1} \cancel{+1} \approx \frac{\varphi^{h+2}}{\sqrt{5}}$, ou seja, $\boxed{n+1 \gtrsim \frac{\varphi^{h+2}}{\sqrt{5}}}$

Temos que o número de nós cresce exponencialmente com a altura, como $\varphi^h$.

Multiplicando por $\sqrt{5}$ e invertendo o lado: $\varphi^{h+2} \lesssim \sqrt{5} \cdot (n+1)$

Aplicando o logaritmo na base $\varphi$: $h + 2 \lesssim log_\varphi(\sqrt{5} \cdot (n+1)) = log_\varphi(n+1) + log_\varphi \sqrt{5}$

Subtraindo $2$ dos dois lados:

$\boxed{h \lesssim log_\varphi(n+1) + (log_\varphi \sqrt{5} - 2) \approx 1{,}44 \cdot lg(n+1) - 0{,}33}$, ou seja, $h \in O(1{,}44 \lg n)$

pois $log_\varphi\, x = \frac{lg\, x}{lg\, \varphi}$, com $\frac{1}{lg\, \varphi} \approx 1{,}44$, e $log_\varphi \sqrt{5} - 2 \approx 1{,}67 - 2 = -0{,}33$.

Exemplo: com $n = 2^{20} - 1$, temos $h \lesssim 1{,}44 \cdot 20 - 0{,}33 \approx 28{,}5$, ou seja, $h \leq 28$, contra $40$ de uma árvore $2$-balanceada qualquer.

Árvores Rubro-Negras

Árvore Rubro-Negra: O que é?

Uma árvore rubro-negra é uma ABB em que cada nó possui uma cor (vermelho ou preto), usada para controlar o balanceamento no lugar da altura.

Ideia: o balanceamento é menos rígido que na AVL (árvore um pouco mais alta), em troca de menos rotações nas atualizações.


Propriedades da Árvore Rubro-Negra

Além das propriedades de ABB, uma árvore rubro-negra satisfaz:

  1. Todo nó é vermelho ou preto
  2. Todo nó nulo é considerado preto
  3. Um nó vermelho não possui filho vermelho (não há vermelhos consecutivos)
  4. Todo caminho de um nó $X$ até qualquer nó nulo descendente passa pelo mesmo número de nós pretos
  5. (Conclusão) Se um nó tem exatamente um filho, esse filho é vermelho (e é folha)

Exercício: justifique a propriedade 5 usando as propriedades 2, 3 e 4.

. . .

Propriedade 5: se N tem só o filho C, o lado vazio de N tem 0 pretos internos. Se C fosse preto, os caminhos por C teriam pelo menos 1 preto interno, violando a propriedade 4. Logo C é vermelho. Pelo mesmo motivo, os filhos de C não podem ser nós internos pretos, e pela propriedade 3 também não podem ser vermelhos. Então C é folha.

Altura Negra

Altura negra $bh(X)$: número de nós pretos de um caminho de $X$ até um nó nulo, sem contar $X$ (bem definida pela propriedade 4).

Observações:


Exemplo: Árvore $A3$ Colorida

::::::::  
::::: {55%}
                M(P)
            /          \
        D(V)            O(P)
       /    \          /    \
    B(P)    F(P)    N(V)    S(V)
    /  \    /  \    /  \    /  \
  []   [] E(V) L(V) []  []  []  []
          / \  / \
        []  [] [] []

:::::

::::: {40%}

(P) preto, (V) vermelho, [] nó nulo (preto)

::::: ::::::::

Exercício: pinte $M$ de vermelho. E se, em vez disso, pintar $D$ de preto? Quais propriedades deixam de valer?


Operações Básicas em Rubro-Negra

Muito do que já foi visto se reaproveita:

struct NoEnc8 {
   char chave;      float dado;
   bool vermelho;   // no lugar de 'int h'
   NoEnc8* esq;     NoEnc8* dir;     NoEnc8* pai;
};
bool eh_vermelho(const NoEnc8* no) {
   return no && no->vermelho;   // nó nulo é preto (propriedade 2)
}

Compare com get_altura da AVL: lá o nó nulo tem altura 0; aqui, o nó nulo é preto.


Inserção em Rubro-Negra

Insira como na ABB (upsertABB) e pinte o novo nó $N$ de vermelho: a propriedade 4 continua valendo, mas a 3 pode ser violada. Sejam $P$ o pai, $A$ o avô e $T$ o tio de $N$:

  1. $N$ é raiz, ou $P$ é preto: nada a fazer, fim
  2. $P$ é vermelho e é raiz: pinte $P$ de preto, fim
  3. $P$ e $T$ vermelhos: pinte $P$ e $T$ de preto e $A$ de vermelho; repita com $N := A$ (sobe dois níveis)
  4. $P$ vermelho e $T$ preto, com $N$ em zigue-zague (ex: $N$ à direita de $P$, $P$ à esquerda de $A$): rotacione em $P$, trocando os papéis de $N$ e $P$, e siga para o caso 5
  5. $P$ vermelho e $T$ preto, com $N$ em linha com $P$ e $A$: rotacione em $A$, pinte $P$ de preto e $A$ de vermelho, fim

O caso 3 pode se repetir $O(\log n)$ vezes, mas só recolore. Rotações: no máximo 2 (casos 4 e 5).

Observação: os casos 4 e 5 juntos são exatamente a rotação dupla da AVL!


Exemplo: Inserção de $G$ na $A3$ Colorida (1/2)

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Antes: $G$ inserido como vermelho, à esquerda de $L$:

         M(P)
       /      \
    D(V)       O(P)
   /    \      /  \
 B(P)   F(P) N(V) S(V)
       /   \
     E(V)  L(V)
           /
         G(V)

$L$ e $G$ vermelhos: viola a propriedade 3! Pai $P=L$ e tio $T=E$ vermelhos, avô $A=F$.

:::::

::::: {48%}

Caso 3: $L$ e $E$ ficam pretos, $F$ fica vermelho:

         M(P)
       /      \
    D(V)       O(P)
   /    \      /  \
 B(P)   F(V) N(V) S(V)
       /   \
     E(P)  L(P)
           /
         G(V)

Agora $F$ e $D$ são vermelhos! Com $N := F$: pai $P=D$ vermelho, tio $T=O$ preto, em zigue-zague. Próximo passo: rotação à esquerda em $D$ (caso 4).

::::: :::::::: :::


Exemplo: Inserção de $G$ na $A3$ Colorida (2/2)

::: - :::::::: || ::::: |{48%}

Caso 4: rotação à esquerda em $D$:

            M(P)
          /      \
       F(V)       O(P)
      /   \       /  \
    D(V)  L(P)  N(V) S(V)
   /  \    /
 B(P) E(P) G(V)

Agora $D$, $F$ e $M$ estão em linha. Próximo passo: rotação à direita em $M$ (caso 5).

:::::

::::: {48%}

Caso 5: rotação à direita em $M$; $F$ fica preto e $M$ fica vermelho:

          F(P)
       /       \
    D(V)        M(V)
   /   \       /    \
 B(P)  E(P)  L(P)   O(P)
             /      /  \
           G(V)   N(V) S(V)

Altura negra 2 em todo caminho. Fim!

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Remoção em Rubro-Negra

Remova como na ABB (removeABB): se o nó tem dois filhos, troque pelo sucessor, recaindo em um nó $X$ com no máximo um filho.

O caso 3 pode se repetir $O(\log n)$ vezes, mas só recolore. Rotações: no máximo 3.


Exercício Prático: Rubro-Negra é uma Árvore Balanceada

Afirmamos que $h(X) \leq 2 \cdot s(X)$ para todo nó $X$ (contando nós internos, como na AVL).

Seja $p(X)$ o número de nós pretos internos em um caminho de $X$ até um nó nulo (o mesmo para todos os caminhos, pela propriedade 4), e seja $\delta = 1$ se $X$ é vermelho, ou $\delta = 0$ se $X$ é preto.

Considere qualquer caminho de $X$ até um nó nulo, com $k$ nós internos:

Aplicando ao caminho mais curto e ao mais longo:

$s(X) \geq p(X) + \delta \quad$ e $\quad h(X) \leq 2 \cdot p(X) + \delta \leq 2 \cdot (p(X) + \delta) \leq 2 \cdot s(X)$

Assim, a rubro-negra é $2$-balanceada e, portanto, $h \leq 2 \cdot lg(n+1)$. $\blacksquare$

Alternativa (Cormen et al.): por indução, uma subárvore com altura negra $bh$ possui pelo menos $2^{bh} - 1$ nós internos.


AVL $\times$ Rubro-Negra

::: –

  AVL Rubro-Negra
Informação por nó altura (int h) cor (1 bit)
Altura máxima $\approx 1{,}44 \cdot lg(n+1)$ $2 \cdot lg(n+1)$
Rotações na inserção no máximo 1 (simples ou dupla) no máximo 2
Rotações na remoção até $O(\log n)$ (exemplo anterior!) no máximo 3
Melhor para muitas buscas muitas inserções/remoções

:::

Ambas garantem busca, inserção e remoção em $O(\log n)$. Na rubro-negra, os ajustes ao subir na árvore são feitos majoritariamente por recoloração, que é $O(1)$ por nível.

Conexão com a próxima aula: cada nó preto, junto com seus filhos vermelhos, equivale a um nó de uma Árvore B de ordem 4 (árvore 2-3-4) com até 3 chaves, e $bh$ corresponde à altura dessa Árvore B.


Próximas aulas

Veremos mais implementações de dicionários, com Tabelas Hash (sem árvores) e com Árvores B (multivias, não binárias!).

Até breve!


Bibliografia Recomendada

Além da bibliografia do curso, recomendamos para esse tópico:

Agradecimentos


Pessoas

Em especial, agradeço aos colegas que elaboraram bons materiais, como o prof. Fabiano Oliveira (IME-UERJ), e o prof. Jayme Szwarcfiter cujos conceitos formam o cerne desses slides.

Estendo os agradecimentos aos demais colegas que colaboraram com a elaboração do material do curso de Pesquisa Operacional, que abriu caminho para verificação prática dessa tecnologia de slides.


Software

Esse material de curso só é possível graças aos inúmeros projetos de código-aberto que são necessários a ele, incluindo:


Empresas

Agradecimento especial a empresas que suportam projetos livres envolvidos nesse curso:


Reprodução do material

Esses slides foram escritos utilizando pandoc, segundo o tutorial ilectures:

Exceto expressamente mencionado (com as devidas ressalvas ao material cedido por colegas), a licença será Creative Commons.

Licença: CC-BY 4.0 2020

Igor Machado Coelho


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